Arte
Mostra imersiva “Natureza Tecida – Somos Um Único Fio”, de Sandra Anselmi, continua a ter exposto seu fascínio na Cidade Matarazzo
Primeira individual da artista gaúcha em São Paulo traz esculturas têxteis em forma de cogumelos gigantes e propõe reflexão sobre interdependência, natureza e existência coletiva
Fotos: Felipi Vieira
Desde que inaugurou, a exposição “Natureza Tecida – Somos Um Único Fio”, de Sandra Anselmi, tornou-se um programa obrigatório para os apreciadores de arte. No dia seguinte à abertura (10 de junho) na Mata Lab, na Cidade Matarazzo, o acontecido já era o burburinho publicado em jornais e exposto nas redes sociais de nomes conhecidos dos diversos meios da cultura. E não é sem motivos, afinal, partindo de sua pesquisa sobre a complexidade da rede subterrânea que constitui os fungos, Sandra transforma um espaço de 420 metros quadrados num percurso sensorial contrapondo a escala humana e os cogumelos gigantes de tricô que chegam a ter quatro metros de altura. A instalação, criada ao longo de anos, reúne cerca de 1,3 tonelada de fios, a maioria residuais. Com curadoria de Lilian Pacce, a exposição parte da lógica biológica dos fungos para refletir sobre os vínculos invisíveis que conectam seres vivos, ecossistemas e experiências humanas.
Ao observar os fungos na natureza, a artista autodidata nascida em Farroupilha, RS, em 1974, identificou uma relação imediata entre a estrutura orgânica do micélio e o ato de tricotar — prática que atravessa sua trajetória pessoal e criativa. “O cogumelo é apenas a manifestação visível de um intrincado organismo chamado fungo. Sua existência decorre do micélio, uma complexa rede tecida por milhares de filamentos chamados hifas, que se entrelaçam sob o solo”. Desenvolvida de maneira intuitiva e orgânica, a metodologia da artista se aproxima da própria formação dos fungos sob o solo: livre, contínua e em permanente expansão. Guiada pelo saber-fazer manual que acompanha sua trajetória desde a infância, Sandra, hoje diretora criativa da marca de tricô Anselmi, incorpora à obra sua vivência têxtil e uma investigação sensível sobre matéria, tempo e transformação. “Natureza Tecida” integrou, em 2025, o projeto “Portas pra Arte” da Fundação Bienal do Mercosul, e chega agora a São Paulo no desdobramento “Somos Um Único Fio”, expandindo a pesquisa da artista sobre interdependência, memória, conexão e coexistência entre os seres. “Os seres humanos estão interligados por fios invisíveis, conectando elementos como memória, ancestralidade. Construo a minha obra de maneira que as tramas do tricô propõem uma complexidade distinta: cada fio representa um indivíduo; cada nó, um ponto de encontro de histórias e saberes”, define ela.

Um caminho entre esculturas têxteis e conexões
A exposição, que marca a primeira mostra na Mata Lab, da Cidade Matarazzo, se distribui por cinco salas e pode ser iniciada a partir de dois percursos distintos: pela Mata Lab, o visitante adentra a Floresta de Cogumelos, criada ao longo de seis anos (2020–2026) e inteiramente feita com tricô de braço, sem o uso de agulhas. As esculturas têxteis se conectam e dialogam entre si por meio de fios e tubos que remetem às hifas responsáveis pela formação do micélio, além de projeções no chão que evidenciam a ideia de uma conexão invisível entre os organismos. Já pelo acesso do lobby do complexo, o espectador percorre um túnel revestido por texturas e nuances em tons terrosos, concebido como uma metáfora do mergulho na terra, um trajeto que pode tanto iniciar quanto encerrar a experiência de forma contemplativa. Na Sala Terra, o público é convidado a retirar os sapatos e se acomodar sobre pufes e formas orgânicas em tricô para assistir o vídeo interativo da exposição. O percurso passa pela Sala Silêncio, criando um momento de pausa, e segue para a Sala Somos um Único Fio, espaço circular marcado por uma escultura têxtil central.
Ao ocupar a Mata Lab da Cidade Matarazzo, “Natureza Tecida – Somos Um Único Fio” inaugura uma proposta curatorial voltada para experiências imersivas no espaço, aproximando arte, design e pensamento contemporâneo.
Ainda aqui, seguem alguns dos registros da concorrida noite de abertura.

Sandra com as jornalistas e apresentadoras Astrid Fontenelle e Silvia Poppovic

Joyce Pascowitch

Adair João Basotti e Maria de Lourdes Anselmi, mãe de Sandra

A carismática Luiza Trajano foi conferir as magníficas obras da artista

Sandra Anselmi, Daiana Garbin e Mônica Lotti

Sandra ao lado do marido, Nilo Borges

Daiane Mattos Anselmi, Elisa Boff, Lisiane Tondo, Sandra Anselmi, Sandra Sgandella Fontoura, Maria de Lourdes Anselmi e Lilian Pace
Felipe Gargioni, Maria de Lourdes Anselmi, Gina Elimelek, Sandra Anselmi e Lucas Thomas

Priscila Monteiro

Sandra entre o casal formado por seu irmão Eduardo Anselmi e Daiane Mattos Anselmi
Exposição: “Natureza Tecida – Somos Um Único Fio”
Artista: Sandra Anselmi
Curadoria: Lilian Pacce
Local: Cidade Matarazzo, Mata Lab (Mata São Paulo) – Alameda Rio Claro, 260
Visitação gratuita: Até 31 de agosto
De segunda-feira a sábado, das 10h às 22h; e domingo, das 12h às 18h.
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